segunda-feira, 28 de abril de 2008

Fórum do Mercosul: palestrantes denunciam "terrorismo midiático".

O painel ‘TV Pública e a Democratização da Informação’ garantiu um público de mais de 300 pessoas na noite deste sábado (26), durante o Fórum Social do Mercosul que está sendo realizado na reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba. Entre os temas mais abordados pelos palestrantes convidades esteve o terrorismo midiático pratica por redes privadas de comunicação em diversos países da América Latina.
O grande enfoque das discussões foi a urgência do questionamento sobre o monopólio que envolve os veículos de comunicação no mundo e o papel da TV Pública na distribuição e acesso à informação.
Entre os debatedores convidados para o painel - realizado na tenda principal - o representante do presidente da Bolívia Evo Morales, senador Abrão Cueller Araújo;
presidente da Tv Pública da Venezuela (TELESUR), Beto Almeida; o sociólogo, jornalista e apresentador do Programa ‘Ver TV’ na TV Brasil, Laurindo Leal Filho; o coordenador-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Celso Augusto Schröder; representante do Conselho Federal de Psicologia, Marcos Ribeiro Ferreira; a presidente da União das Mulheres da Argentina, Maria Inês Bracesco; Juliano Maurício de Carvalho, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e Ricardo Moretzsohn, da Campanha Ética na TV.
O senador boliviano, Abrão Cueller Araújo, contou que a Bolívia possui 15 redes de televisão privadas e apenas uma estatal.
“Estas 15 estão fazendo terrorismo midiático para derrubar o governo de Evo Morales na Bolívia. Todas elas defendem os interesses de grandes empresas petrolíferas e outras multinacionais.Todas elas, são contra a democratização da informação e os meios de comunicação estatais”, informou o senador. Ele criticou ainda, a forma com que as TVs privadas tentam convencer o povo de que os Estados Unidos é um país democrático e solidário ao restante do mundo.
“O neoliberalismo é egoísta. É preciso mais trabalho e uma maior conscientização sobre a importância da democracia no mundo. As redes públicas devem ofertar o máximo de informação e os governos exigir do setor privado mais investimentos em informação, cultura e em TVs Comunitárias. Não pode haver uma só voz e essa riqueza da distribuição da informação só será possível com o trabalho de muitas vozes”, finalizou o senador.
Venezuela
O presidente da Telesur, Beto Almeida, falou sobre a evolução da TV Pública no Brasil durante o Governo Lula e também criticou o terrorismo midiático feito pelas grandes empresas de televisão privada contra as TVs estatais.
“Os meios de comunicação devem estar veiculados a projetos soberanos dos nossos povos e a democracia. O terrorismo é uma manobra do sistema capitalista”, reforçou. Para ele, o acesso à informação deve fazer parte da esfera pública, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo.
Já o jornalista e sociólogo, Laurindo Leal Filho, que também é professor do Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes da USP, fez um histórico sobre a TV Pública no Brasil. “Há dez anos jamais teríamos um debate como este. É fundamental que a sociedade se incorpore e entenda que as TVs públicas são um patrimônio nacional e devem transmitir informação de qualidade”, destacou.
O coordenador do painel - sociólogo, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e coordenador da Casa Latino-Americana - Dimas Floriani, acredita que na atual conjuntura a oportunidade de debater a ‘TV Pública e a Democratização da Informação’ é fundamental para os povos dos países do Mercosul.
“Hoje, acredito que acontece ao contrário, ou seja, não existe possibilidade de qualquer contribuição por parte da sociedade na produção do conhecimento. Na verdade, esta produção deveria refletir a pluralidade dos povos, ao invés de nos tornar reféns do oligopólio da informação”, completou Dimas Floriani.
Vermelho (www.vermelho.org.br)

Fonte: Portal do PT.

Governadores da Amazônia se reúnem com Príncipe Charles em Londres

Londres – Governadores de estados da região amazônica, senadores, deputados federais, empresários, instituições de pesquisa, representantes de instituições financeiras e lideranças sociais se reúnem nesta terça e quarta-feira (29 e 30), em Londres, com o Príncipe Charles para um amplo debate sobre a sustentabilidade da Amazônia.
O encontro, que será realizado na residência do Príncipe (Clarence House, Palácio Saint James), discutirá temas como Agricultura e Meio Ambiente; Infra-Estrutura; Finanças e Saúde e Educação. Cada painel será apresentado por um governador ou seu representante. Estão confirmadas as presenças da governadora Ana Júlia Carepa (PT/PA); Waldez Góes (PDT/AP) e José de Anchieta Júnior (PSDB/RR). O Acre e o Amazonas estão representados pelos senadores Tião Viana (PT) e Arthur Virgílio (PSDB), respectivamente.
De acordo com o organizador do evento, Jorge Pinheiro Machado, o Príncipe Charles, que no final do ano passado criou uma instituição voltada para a proteção das florestas tropicais do mundo (Rain Forest Forest), se propõe a ser um interlocutor entre as personalidades brasileiras envolvidas nas questões amazônicas e lideranças britânicas interessadas na proteção da maior floresta tropical do planeta.
Segundo Machado, o Príncipe Charles quer promover a aproximação entre as vozes das regiões detentoras de florestas nativas e o mundo, que precisa desses remanescentes, no sentido de remunerar os serviços ambientais que as florestas prestam à humanidade. Por isso um dos itens do debate propõe a melhoria da qualidade de vida dos povos da floresta, para que eles se transformem em seus guardiões.
Levantamentos feitos por Machado apontam que a comunidade britânica estaria disposta a desembolsar cerca de 10 bilhões de libras esterlinas (mais de R$ 50 bilhões) para remunerar os serviços ambientais prestados pelas florestas. Os brasileiros pretendem captar algo em torno de 5 bilhões de libras para a Amazônia (R$ 25 bilhões). Os dirigentes da Amazônia no entanto, exigem que o aporte financie a inclusão social da população local. A Amazônia concentra perto de 25 milhões de habitantes e possui 60% do território brasileiro. Os governantes são categóricos: não há como defender apenas a conservação da floresta sem incluir sua população.
O grupo pretende discutir formas de captar esses recursos, seja por meio do pagamento de bolsas-florestas, pelo aporte direto aos fundos estaduais de meio ambiente ou em projetos específicos. Outros mecanismos de financiamento também serão discutidos pelo grupo durante o evento.
Diversidade - A governadora do Pará Ana Júlia Carepa considera que o desafio da Amazônia envolve não só a conservação como também a valorização da floresta. A Amazônia constitui-se em um imenso território protegido em unidades de conservação. São mais de 100 milhões de hectares entre Terras Indígenas, Territórios de Comunidades Tradicionais e outras categorias destinadas à conservação e à promoção do uso sustentável dos recursos naturais.
“A efetiva proteção desses territórios só será possível se formos capazes de promover a valorização dos produtos oriundos dessas áreas e dos serviços ambientais providos por esses ambientes protegidos”, enfatiza a governadora, que lidera um movimento nacional pelo pagamento dos serviços ambientais prestados pela floresta.
O Pará, o segundo maior Estado da Amazônia, com 1,2 milhão de km2 e 7,1 milhões de habitantes, é pressionado pela expansão econômica que visa, sobretudo os recursos naturais, em atividades que envolvem intensa ocupação, conflitos e uma indústria de grilagem de terras que fomenta toda forma de ilegalidade ambiental e fundiária.
Fórum de Governadores - O governador do Amapá Waldez Góes lidera outro movimento importante: a integração dos governadores e das bancadas amazônidas na defesa de seus interesses. Góes está propondo a criação do Fórum de Governadores da Amazônia, com a integração de toda a Amazônia Legal, que reúne nove governadores e 27 senadores, além e uma expressiva bancada de deputados federais.
Para Góes, a união de governadores que o evento em Londres promove já é um ganho, pois embora cada um pretenda demonstrar seus desafios locais, todos atuam no sentido de sensibilizar a comunidade internacional na busca de parcerias que resultem em benefício regional. O governador defende os aportes financeiros sejam feitos diretamente aos governos locais, estes por sua vez fariam a interlocução com os demais segmentos da sociedade.
Com uma área de 14,4 mil km2, o Amapá possui uma cobertura vegetal perto de 98%, sendo que 72% de suas áreas estão protegidas na forma de Unidades de Conservação e Terra Indígena. Para Góes,o desafio da Amazônia exige uma equação diferenciada, que não consta por exemplo, do Protocolo de Kyoto, que prevê o financiamento apenas para o reflorestamento e não a manutenção da floresta.
Repartição de bens - O governador de Roraima José de Anchieta Júnior defende que o povo amazônida deve usufruir dos bens e dos recursos naturais das florestas, e que é possível essa repartição de forma sustentada.
Roraima possui cinco biomas em seu território de 17 mil km2, dentre eles a savana (40% da área total), área propícia à produção de alimentos sem a necessidade de avançar sobre a floresta. “Estamos convencidos de que é possível desenvolver projetos estruturantes de forma responsável e sustentável, que leve em conta não só a preservação ambiental, como também a qualidade de vida de nossa população”.
O Estado de Roraima é servido pela energia gerada na Venezuela e uma pequena parte por usinas termelétricas locais e hidrelétricas de pequeno porte, embora tenha um potencial energético capaz de manter a auto-suficiência, na ordem de 200 MW, e vender o excedente. Por razões estratégicas, Anchieta vai defender em Londres a implantação da usina hidrelétrica no rio Cotinga, com capacidade instalada de 600 MW e com baixo impacto ambiental já que a área inundada seria mínima. Esse investimento possibilitaria a Roraima deixar de ser dependente da energia gerada em outro país.
Soberania - O senador Tião Viana (PT-AC) considera que é legítima a manifestação política dos agentes públicos na defesa da Amazônia, já que este bioma é o grande vetor do terceiro milênio por reunir a maior floresta tropical do mundo, uma rica e variada biodiversidade além de abrigar a maior reserva de água doce do planeta.
Para Viana, o encontro com o Príncipe Charles é também uma oportunidade de articulação e integração entre os governantes da Amazônia. O Senador no entanto, destaca que em eventos como este o Brasil deve reafirmar sua soberania e auto-suficiência em enfrentar seus desafios e que entende as relações de cooperação como a que está sendo proposta, é uma demonstração de que os brasileiros sabem como tratar seus destinos.
Próximo encontro - A segunda etapa desse encontro está prevista para acontecer dentro de 90 dias e deverá ser sediada em Belém, tendo como anfitriões a governadora Ana Júlia e demais governadores da Amazônia, que se reunirão com um grupo de convidados britânicos, sob a liderança do Príncipe Charles.

Texto: Ivonete Motta - Secom

Fonte: Da Redação Agência Pará

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