quarta-feira, 30 de abril de 2008

Governadora propõe taxar mercados mundiais para manter florestas.

Londres – A governadora Ana Júlia Carepa lançou nesta quarta-feira (30) em Londres (Inglaterra), durante reunião com o príncipe Charles, a taxação dos mercados financeiros mundiais, com a finalidade de constituir um fundo para subsidiar produtos florestais não-madeireiros, como óleos, fibras, látex e sementes, além do reflorestamento. Essa medida pode garantir a manutenção da floresta em pé, assegurando que o ecossistema continue oferecendo serviços ambientais à humanidade.
A proposta foi lançada durante encontro de trabalho para discutir a realidade da Amazônia, que reuniu terça e quarta-feira (29 e 30), na capital inglesa, lideranças políticas, sociais, econômicas e ambientais, em evento promovido pelo projeto Florestas do Príncipe. O encontro foi realizado no Palácio Saint James, residência de trabalho do príncipe Charles, que abriu e encerrou o encontro desta quarta-feira.
Depois de ouvir atentamente a governadora do Pará, o príncipe Charles fez questão de cumprimentá-la pessoalmente. Para Ana Júlia Carepa, há o reconhecimento de que as florestas tropicais cumprem um papel importante na regulação do clima mundial. No entanto, a extração de madeira tem peso singficativo na economia desses países. Ela disse que só há um meio de enfrentar essa força, cuja causa é o desflorestamento: impor um movimento econômico em sentido contrário, mas com a mesma intensidade, que induza a manutenção da floresta em pé.
A proposta da governadora, que necessita de financiamento para ser colocada em prática, prevê a criação de um mecanismo mundial que financie o que ela denominou de "comodities florestais". Por esse instrumento, haveria a taxação do mercado financeiro, como os mercados de juros, câmbios, ações das bolsas de valores. Para Ana Júlia Carepa, é justo taxar o próprio capital, que em última análise é quem pressiona a exploração dos recursos naturais.
A governadora pediu o apoio do príncipe Charles na construção dessa engenharia financeira. Ela destacou que é o consumo que causa a pressão sobre os recursos naturais, não a pobreza, como muitos ainda apregoam.
Segundo a proposta, os agentes locais das florestas tropicais do mundo manterão a cobertura vegetal em pé, assegurando os serviços ambientais que ela presta à humanidade, pelo simples fato de ganharem mais dinheiro dessa forma.
Ana Júlia Carepa convidou o príncipe Charles a visitar a Amazônia no segundo encontro do grupo, que será realizado no Pará, em local ainda a ser definido, no final de julho. Para a gov ernadora, há pelo menos duas gerações ainda havia tempo hábil para cuidar da floresta. “Para nossos netos pode ser muito tarde”, frisou ela.
Benefício mundial – O príncipe Charles disse estar feliz por promover essa discussão conjunta sobre a Amazônia e explicou que há pelo menos 18 anos está ciente dos problemas enfrentados pelas florestas úmidas. Para ele, ao regular o clima do planeta, toda a humanidade é beneficiada pela manutenção das florestas. “É alarmante perceber que existe um grande número de pessoas no mundo que continuam céticas em relação às mudanças climáticas”, destacou.
Charles defendeu a criação de mecanismos que resultem na melhoria da qualidade de vida dos habitantes das florestas, pois entende que dessa forma eles atuarão como agentes da conservação, não da destruição.
Ele foi enfático ao afirmar que, embora pesquisadores estudem mecanismos para eliminar os gases lançados na atmosfera, existe uma máquina natural muito mais efeciente, a floresta, que limpa a atmosfera e regula as chuvas, além de possuir uma grande biodiversidade que ainda precisa ser totalmente descoberta.
Para o príncipe, o Brasil faz muito pela preservação da floresta amazônica, embora sofra pressão pelos recursos minerais e pela produção de alimentos, e destacou que o mundo também precisa ajudar na conservação da floresta. No entanto, Charles defendeu que os quase 25 milhões de habitantes da Amazônia tenham qualidade de vida e possam usufruir dos benefícios gerados pela floresta.
Embora considere que há muitas perguntas a serem respondidas, o herdeiro do trono britânico acredita que o Brasil pode contribuir com um modelo de conservação que possa ser aplicado às demais florestas tropicais do mundo. “Vamos fazer todo o possível para ajudar na construção desse processo, estreitando relações e trabalhando mais próximo do Brasil”, declarou Charles.
Além da governadora Ana Júlia Carepa compareceram ao evento os governadores de Roraima, José de Anchieta Júnior (PSDB), e do Amapá, Waldez Góes (PDT). O Acre foi representando pelo ex-governador Jorge Viana; o Amazonas por Virgílio Viana, presidente da Fundação Amazonas Sustentável, e Roraima pela liderança indígena Almir Suruí.
Também integraram o grupo os senadores Tião Viana (PT/Acre), Arthur Virgílio (PSDB/AM), Eduardo Suplicy (PT/SP) e Cícero Lucena (PSDB/PB), cinco deputados federais e representantes do empresariado, de ONGs e de outros segmentos.

Texto: Ivonete Motta – Gabinete da Governadoria

Fonte: Da Redação Agência Pará

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