A política indigenista brasileira foi defendida nesta quinta-feira (8) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante a cerimônia de lançamento do PAS (Plano Amazônia Sustentável).
O presidente condenou quem coloca os indígenas de um lado e os não-índios de outro, numa referência aos conflitos na reserva Raposa/Serra do Sol (RR), e também os que condenam as ações federais. Segundo ele, este é um antagonismo desnecessário.
Lula apelou para que se entenda a posição dos indígenas que vivem sem a proteção do Estado e lembrou que eles ajudam a guardar as fronteiras do Brasil, ao contrário do que dizem os críticos da demarcação da reserva em Roraima.
"É só ir a São Gabriel da Cachoeira (AM), que nós vamos perceber que grande parte militares que estão lá são índios que estão lá vestidos com a roupa verde-amarela das Forças Armadas. Muitas vezes foram os índios que defenderam as nossas fronteiras", disse.
A reação de Lula foi uma resposta aos recentes comentários do comandante militar da Amazônia, general Augusto Heleno, que criticou a política indigenista do governo federal, e dos conflitos na reserva Raposa/Serra do Sol.
"O confronto muita vezes se dá pela ignorância, pela falta de informação, porque muitas vezes a gente é contra ou favor até sem saber muito o porquê. Muitas vezes a gente é contra simplesmente pelo ouvi dizer (...), sem aprofundar a discussão com aqueles que realmente conhecem, estudam e vivem o problema”, afirmou.
Relacionando o desamparo de índios, sem proteção do Estado, com a situação em que vivem os moradores de favelas, Lula pediu a compreensão pela rebeldia de algumas etnias.
"Obviamente que um índio que vive no meio da Amazônia, sendo brasileiro, cidadão brasileiro, eleitor brasileiro, não recebendo as funções que o Estado tem que ter para com ele e com seu povo, vai ser tão rebelde contra o Estado quanto um companheiro que mora numa favela no Rio de Janeiro, a 100 metros de Copacabana, não tem água nem escola nem nada para fazer", afirmou o presidente.
Lula apelou ainda para que as pessoas fujam ao clima de disputa incitada pela politização dos temas que envolvem a política indigenista.
"Por que há esse antagonismo desnecessário? Por que tentar despolitizar a sociedade em debates que não dizem nada em comparação à realidade que vivemos a cada dia?", questionou.
Patrimônio
Sobre o lançamento do PAS, Lula lembrou que a Amazônia é patrimônio da "humanidade" e que deve ser cuidada pelo Brasil. Ele pediu para que todos digam em "alto e bom som" que "quem cuida da Amazônia é o Brasil".
"Como tem gente que acha que a Amazônia tem que ser da humanidade. E nós achamos que é [da humanidade]. Achamos que ela precisa produzir benefícios para todos os seres humanos. Mas temos que dizer em alto e bom som que quem cuida da Amazônia é o Brasil. Quem decide o que fazer na Amazônia é o Brasil", afirmou o presidente.
Lula disse que em livros há referências sobre a impressão de estrangeiros a respeito do Brasil. "Há livros, do século 16, que mostram que, uma vez, um americano veio de barco e achou que a Amazônia era uma extensão do rio Mississipi [nos EUA]", afirmou. "Eu penso que nós ainda não temos condições de explorar 10% da fauna, da flora e da biodiversidade da Amazônia. Eu diria que nós somos quase que analfabetos em Amazônia."
O presidente ressaltou que é fundamental cuidar da Amazônia e desenvolver políticas na região de forma adequada. Do contrário, segundo ele, os produtos brasileiros poderão sofrer vetos e embargos internacionais sob a suspeita de serem cultivados em áreas preservadas.
"Se a gente não fizer as coisas adequadamente, daqui a pouco algum país levantará a proibição de não importar a soja brasileira porque alguém disse que ela está sendo plantada no lugar da célula da Amazônia", disse.
"Produzir cuidando do meio ambiente é uma vantagem. Cuidar do meio ambiente é uma vantagem comparativa para os produtos que queremos vender a outras partes do mundo. É uma consciência extraordinária e uma evolução", reiterou.
Fonte: Portal do PT.
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