segunda-feira, 6 de abril de 2009

Crise: Petista critica neoliberais e defende mais investimentos do Estado

O vice-líder do governo no Congresso Nacional , deputado Gilmar Machado (PT-MG), entende que a crise econômica e financeira mundial deve ser combatida com mais investimentos do Estado, e não com cortes, como defendem os neoliberais. A posição foi manifestada em artigo publicado nesta segunda-feira (6) no jornal O Globo.

“Momentos de dificuldade pedem novas visões. No Brasil, em momentos de crise, insistiu-se no corte de gastos. Mas tem de ser exatamente o contrário, pois, ao se aplicar o receituário tradicional, com cortes, a crise tende a se agravar”. Para ele, “é esta a lógica que precisamos adotar: temos que combater a crise com investimentos, fazendo com que o Estado aumente a sua presença e tenha, de fato, força.

Leia a íntegra do artigo:

Lógica é inversa

O papel estratégico do Estado na economia é uma das lições mais fortes deixadas pela crise econômica que abalou o sistema financeiro internacional no segundo semestre de 2008. O cenário de recessão em vários países trouxe de novo à tona a discussão sobre o papel dos governos.
Momentos de dificuldade pedem novas visões. No Brasil, em momentos de crise, insistiu-se no corte de gastos. Mas tem de ser exatamente o contrário, pois, ao se aplicar o receituário tradicional, com cortes, a crise tende a se agravar.
O Banco Central, ao reduzir a taxa de juros em 1,5 ponto percentual, vai gerar uma economia ao redor de R$ 10 bilhões/ano. Estes são os recursos que teremos para investir.
Novos cortes da taxa Selic vão intensificar o processo. EUA e Europa não têm mais como reduzir os juros, mas o Brasil ainda tem gordura para queimar, o que nos dá condições para investir. Estamos trabalhando para que haja investimentos.
Em tempos de crise, há quem diga que o servidor público é um peso, que o reajuste
salarial é um problema.
Acredito no contrário. É exatamente neste momento que precisamos de servidores capacitados e valorizados. É fundamental o bom funcionamento de todos os órgãos públicos e ministérios, como o MEC, o Dnit e o Incra. A lógica é exatamente a inversa da que defendem os neoliberais e os adeptos do Estado mínimo: a crise demonstra a falência do modelo neoliberal e comprova que a forma com que se combateram as crises anteriores foi desastrosa para o Brasil.
Outro ponto importante é a manutenção das áreas essenciais, como saúde e educação. O governo Lula começou a reorganizar o Estado por meio de políticas concretas, como o incentivo à pesquisa nas universidades. Estamos valorizando a ciência e investindo no setor, levando o ensino técnico e tecnológico à nossa juventude no interior do país — serão 94 novas escolas técnicas só este ano.
É esta a lógica que precisamos adotar: temos que combater a crise com investimentos, fazendo com que o Estado aumente a sua presença e tenha, de fato, força.

(Artigo publicado originalmente no jornal O Globo, edição de 06/03/2009)

Fonte:Portal do PT

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