domingo, 6 de abril de 2008

Conferência Estadual de Meio Ambiente reúne cerca de 1000 delegados

Da Redação

Agência Pará

A III Conferência Estadual do Meio Ambiente do Estado do Pará foi oficialmente aberta nesta sexta-feira (04), com um auditório lotado no Hangar – Centro de Convenções, em Belém. Com o tema, Amazônia e as Mudanças Climáticas, a Conferência cria espaços de discussões relacionadas à Amazônia, o Brasil e o regime internacional de mudanças climáticas. Após 134 conferências municipais em que o Pará reuniu 25 mil pessoas, a conferência estadual trouxe a Belém cerca de 1000 delegados de todos os municípios paraenses.

A governadora Ana Júlia Carepa destacou as ações de combate do governo do Estado - com base no novo modelo de desenvolvimento - para eliminar o desmatamento ilegal e o uso dos recursos naturais de forma clandestina. Por outro lado ressaltou as políticas públicas que vão garantir o desenvolvimento econômico, social e ambiental em bases sustentáveis. Ana Júlia Carepa fez questão de saudar os delegados da Conferência que não mediram esforços para realizá-la e todos àqueles que com seu trabalho engajado passaram do discurso à prática na defesa do meio ambiente da Amazônia, com respeito àquilo que é mais importante: a vida humana.

“Somos responsáveis pelo que ocorre em nossa casa”, frisou a governadora, destacando que os números estatísticos sobre o desmatamento e a emissão dos gases poluentes não serão encarados de modo pessimista. O Brasil está entre os quatro países do mundo que mais emitem gases poluentes. Grande parte desses gases vem do desmatamento das florestas. De acordo com as últimas pesquisas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Pará tem cerca de 17% das áreas degradadas de todo o país. Há Estados com índices superiores.

“O governo paraense tem enfrentado os problemas com realação ao meio ambiente com a seriedade que o tema necessita. O desejo de mudar está claro nas ações deste governo. Ações específicas da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, desde que foi criada. Esforço para atender as demandas relacionadas com o meio-ambiente”. Os produtos florestais estão em segundo lugar na pauta de exportação do Estado, só fica atrás do minério. “Queremos gerar emprego com base legal. Mais de dois mil empregos de forma legal serão gerados em Tailândia com as ações das secretárias de Estado e a aplicação de 12 milhões de reais para melhorar a qualidade de vida do povo do município. O que estamos fazendo vai entrar para a história. O desafio é grande, mas temos dado os passos certos, de mãos dadas com a população do Pará”.

Maria Cecília Wey de Brito, representante do Ministério do Meio Ambiente disse que a conferência vai trazer informações detalhadas sobre as expectativas da sociedade brasileira a cerca das mudanças climáticas. “A realização de conferências municipais e em alguns casos regionais no Pará faz com que possamos entender o que está preocupando as pessoas e como elas vêem as soluções desses problemas. As mudanças climáticas é um problema que nos afeta, então é importante que o Brasil consiga sua política nacional de uma forma participativa, com visão ampla de todos os Estados, em suas diversas condições de gestões, geografia, de vegetação e população”, disse.

Cecília disse que é importante tomar consciência dos problemas e utilizar como moeda de troca nas complexas discussões internacionais à redução das taxas de desmatamento verificadas nos últimos três anos. Os empresários brasileiros podem fazer diferença mudando a forma de fazer seus produtos. “Se a sociedade souber dos problemas e dos resultados que eles causam, vai pressionar aquelas áreas que contribuem mais facilmente com isso”, explicou. É preciso ver a questão ambiental como parte do dia-a-dia, inclusive como parte de soluções individuais que cada um pode ter. “Andar menos de carro, menos de avião, desmatar ou não desmatar menos, tudo isso são ações que podemos contribuir como cidadãos e cobrar dos governos ações que possam ser feitas para fazer com que a gente possa sofrer menos com os impactos das mudanças climáticas”.

O secretário de Meio Ambiente, Walmir Ortega, declarou que a conferência é produto do esforço de um conjunto de pessoas, organizações sociais, organizações locais e movimentos sociais, que ao longo de meses apresentaram temas importantes para a construção da política ambiental do Estado. O secretário falou do novo modelo de desenvolvimento do Estado capaz de incluir os excluídos, agregar qualidade de vida para todos os paraenses e que seja capaz de proteger e valorizar a biodiversidade e os recursos naturais.

Ortega informou que o Pará vai participar com mais de 25 mil delegados na conferência nacional, no mês de maio, em Brasília. “Um número muito grande de paraenses se envolveu e está contribuindo com o debate sobre a proteção da Amazônia, com capacidade de mostrar para o mundo que temos capacidade de proteger, gerir e utilizar os nossos recursos naturais como gerador de qualidade de vida para todo paraense, todo cidadão amazônico e ao fazer isso, ajudar o Brasil na regulação dos regimes de chuvas e na regulação climática. Esse é o papel que cabe a região amazônica”, comentou.

O superintendente do Ibama, Aníbal Picanço lembrou discursos de autoridades militares e políticas internacionais interessadas em “tomar” a Amazônia do Brasil e não reconhecer a autonomia do país sobre a região. “Caso não tenhamos capacidade, a internacionalização da Amazônia voltará com muita força. Não estou defendendo à ausência do estrangeiro, mas não devemos incorrer no erro do esforço de preservar, sacrificando ainda mais nossa população já tão sofrida. Temos que implementar políticas públicas de curto, médio e longo prazo, explorá-la de forma sustentável, para que sobreviva não só para a nossa, mas sobretudo, para as próximas gerações”.

Texto: Lázaro Araújo -Secom

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