sexta-feira, 18 de abril de 2008

Governo do Pará e MST reagem contra acusações da Vale

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) negou a participação de integrantes do movimento de ocupação da EFC (Estrada de Ferro dos Carajás) na quinta-feira (17), conforme informou a mineradora Vale. O governo do Pará também reagiu às acusações da mineradora de que estaria sendo omisso no caso, em nota divulgada nesta quinta.
De acordo com a Vale, os sem-terra teriam bloqueado a ferrovia pela manhã e ocupado a sede da Vale em Belém (PA).
Em nota, o MST explica que a obstrução dos trilhos da EFC, em Parauapebas (PA), foi realizada pelo MTM (Movimento dos Trabalhadores na Mineração) "que faz uma série de protestos para denunciar a exploração da Vale e exigir a retomada de parte da área". O movimento disse ter ocupado a sede da mineradora durante 15 minutos.
“A nossa ocupação simbólica foi um ato em protesto contra as declarações criminosas da diretoria da Vale. Bandidos são os diretores da Vale, que não têm apreço pela democracia, prejudica comunidades e desrespeita os movimentos sociais e o povo brasileiro. . Vamos seguir a luta pela sua reestatização para resolver essas problemas e resgatar um patrimônio da Nação”, disse o integrante da coordenação nacional do MST, Ulisses Manaças.
O MST reagiu às acusações da mineradora ao afirmar que "a Vale supostamente defende o Estado democrático de Direito, no entanto, faz apologia à violência contra os trabalhadores". Para os sem-terra "a Vale vem criminalizando os movimentos populares ao criar um clima de terror, incentivando a violência contra famílias sem-terra, que classifica de 'bandidos' por fazerem a luta por melhores condições de vida".
O MST conclui a nota dizendo que "vai continuar a luta contra o latifúndio, a monocultura para exportação e as empresas transnacionais, que não representam uma solução para os pobres, e contra as empresas que ferem a soberania nacional".
Em nota, o governo do Pará afirmou que “não aceita a acusação de ser omisso e considera incabível a ação judicial feita pela Companhia Vale do Rio Doce, requerendo que o Estado preste serviços de segurança pública a uma empresa privada”.
A Procuradoria do Governo do Pará entrou com manifestação na Justiça Federal de Marabá, solicitando o indeferimento do pedido de tutela antecipada feito pela Vale, em ação ordinária que pediu ao Estado e à União que prestem serviços de segurança pública à empresa.
A Procuradoria requereu, ainda, a condenação da Vale ao pagamento de multa por litigância de má-fé, prevista no art. 18, do Código de Processo Civil, reconhecendo o direito de o Estado do Pará ser indenizado pelos prejuízos, morais e/ou materiais, sofridos com o ajuizamento dessa ação.
A Justiça Federal de Marabá, num reconhecimento dos esforços promovidos pelo governo, indeferiu na noite de quarta-feira (16) o pedido de tutela antecipada feito pela Companhia Vale.

Fonte: Portaldo PT

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