Do site Conexão Norte
O Governo Federal está olhando a Amazônia com outros olhos. A afirmação é do deputado federal Paulo Rocha do PT do Pará. Coordenador da Bancada do Norte e da Bancada do Estado do Pará, Rocha vê como bastante promissora essa atenção renovada do governo pela Amazônia. Transcrevemos abaixo a entrevista concedida à Agência de Notícias Conexão Norte pelo parlamentar:
Conexão Norte – Como o senhor vê a criação do Plano Amazônia Sustentável, tendo como ministro Mangabeira Unger?
Paulo Rocha – Primeiro acho que é importante ressaltar que o Governo Federal está olhando a Amazônia de outro jeito. A questão da Amazônia entra na pauta de prioridades do governo, e essa é uma grande vitória para a região. O segundo ponto é a forma correta de olhar a nossa região. Agora estamos fazendo as coisas da forma inversa, o que vem de lá, o que é pensado e refletido por lá é que são implementadas, e não colocadas daqui pra lá, como sempre foi feito. O ministro Mangabeira tem pensado em soluções para longo prazo, pois o PAS é essencialmente isso, porém, com soluções também imediatas para os problemas atuais, ou seja, o gargalo ambiental e os grandes investimentos na região.
Outro ponto altamente importante que será levado a efeito pelo PAS é que o conceito de desenvolvimento, agora leva em consideração as peculiaridades e diversidades de cada estado da Região Norte, com seus problemas e soluções totalmente personalizados. Já está sendo feito hoje um contato com as autoridades estaduais e com as prefeituras mais importantes da região, para discussão daquilo que é mais interessante para cada um. O Marajó é diferente do Baixo Amazonas, que é totalmente diferente do Sul do Pará etc.
CN – Seria então uma forma de colocar em prática aquilo que foi feito no Acre, o famoso projeto de governo da floresta sustentável?
Paulo Rocha – Não é bem por ai. O Acre é um estado pequeno e com suas peculiaridades, principalmente o extrativismo. O projeto que foi implantado lá deu certo justamente por causa dessas peculiaridades e individualidades. Tudo o que foi feito foi visando o biossistema local. No caso do Pará, por exemplo, teremos programas para a extração mineral, indústria da madeira, agropecuária em grande escala etc. Na mineração por exemplo, teremos que nos preocupar em não deixar mais somente o buraco, procurando agregar valores ao produto na verticalização, com um maior aproveitamento dentro do estado. No caso das áreas de floresta já derrubadas, teremos aplicação de projetos de biodiesel ou até mesmo um reflorestamento. Em síntese, o PAS proporcionará o levantamento de cada localidade para que então o programa geral atue em áreas específicas.
CN – O senhor acredita que o PAS incentivará outras formas de indústrias na Amazônia?
Paulo Rocha – Não. Não acredito nisso, até mesmo porque o programa visa, principalmente, proporcionar meios para a verticalização do que está sendo feito hoje de forma direta e sem maiores benefícios para o estado. Por exemplo, no caso do minério, as empresas serão incentivadas a trabalhar os subprodutos da extração, gerando novas frentes de trabalho. Outro exemplo também da verticalização é o reflorestamento das áreas de mineração, elas podem ser utilizadas nas “guzeiras” de fabricação do carvão, reduzindo assim as áreas de extração madeireira para esse fim.
BANCADA DO NORTE
CN – Na qualidade de coordenador da Bancada do Norte, o senhor tem algum projeto de impacto para projetar ainda mais a Região Norte no cenário nacional?
Paulo Rocha – Projeto não. A principal tarefa que temos é a de transformar 87 parlamentares em uma força política da Amazônia. Um bloco coeso e unificado em torno dos seus interesses. Um exemplo agora na reforma tributária, temos que conscientizar o Congresso de que as regiões em desenvolvimento, que necessitam de uma maior estruturação fiscal, devem ser vistas de uma forma diferente. Não paternalista, mas que seja condizente com a situação e peculiaridades fiscais de cada um. Se os 87 parlamentares estiverem unidos em torno de suas questões, a Amazônia fará diferença nas votações do Congresso. A chamada Bancada da Amazônia, ou Bancada do Norte, poderá ser tornar uma força política poderosa para que sejamos vistos com outros olhos.
Um exemplo do que podemos e queremos alcançar imediatamente é um apoio bem mais substancial na área financiamentos de pesquisas. A partilha hoje é muito mais direcionada para o Sul do País do que para outras regiões. Temos a maior biodiversidade do planeta e queremos condições para que nossos cientistas possam trabalhar em benefício do Brasil.
Essa força política da bancada será revertida em maiores investimentos, condições de desenvolvimento político e social. O maior exemplo que podemos dar nesse momento, como valorização real da Amazônia é a ida do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Belém, no próximo dia 30 para inaugurar a nova Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia – Sudam. É o resgate de um importante órgão governamental, voltado para o desenvolvimento da região amazônica. Podemos dizer que essa é uma das mais importantes conquistas pela Bancada do Norte para que entremos nessa nova condição de desenvolvimento igualitário com as outras regiões.
Fonte:Site www.paulorocha13.com
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